quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ministério Público denuncia Samarco por crime ambiental

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

O Ministério Público de Minas Gerais anunciou hoje (15) que ofereceu denúncia contra a Samarco e 14 funcionários da mineradora. Eles são acusados de se associarem para cometer crimes ambientais em benefício da empresa.
Barragem da mineradora Samarco se rompeu em Mariana e inundou a regiãoCorpo de Bombeiros/MG - Divulgação.
O anúncio ocorre no dia em que se completam seis meses da tragédia em Mariana (MG), quando o rompimento de uma barragem da Samarco devastou distritos e municípios, destruiu vegetação nativa e poluiu a bacia do Rio Doce, além de causar 19 mortes. O caso é considerado o maior desastre ambiental do Brasil.

Segundo os promotores, após a tragédia, a Samarco deixou de atender às determinações e aos pedidos dos órgãos ambientais. Além disso, não teriam sido tomadas medidas adequadas em relação às consequências do rompimento da barragem.

Nos dias 16 e 17 de janeiro, quando houve rompimento de um dique, a empresa teria deixado de executar procedimentos de emergência e de acionar os alertas necessários. Nesses dias, de acordo com a denúncia, não foi feito nenhum comunicado aos órgãos competentes e imagens das câmeras de segurança da empresa foram escondidas.

A Samarco é acusada de causar poluição que pode afetar a saúde humana ou provocar morte da fauna e flora, deixar de cumprir obrigação de interesse ambiental e dificultar a fiscalização.

A denúncia apresentada em 10 de março é assinada pelos promotores Antônio Carlos de Oliveira, Carlos Eduardo Ferreira Pinto e Marcos Paulo de Souza Miranda; Mauro da Fonseca Ellovitch, Marcelo Azevedo Maffra e Francisco Chaves Generoso; Daniel Oliveira Ornelas e Felipe Faria de Oliveira.

Medidas cautelares

Em sua denúncia, o Ministério Público pediu à Justiça a adoção de algumas medidas cautelares em relação aos acusados, entre elas a suspensão do exercício de atividade de natureza econômica e o impedimento de acesso ou frequência a unidades da Samarco. Eles precisariam também comparecer em juízo periodicamente.

Os promotores querem que os denunciados sejam proibidos de se ausentar do país e de manter contato entre eles ou com outros funcionários da mineradora. As medidas seriam justificadas para garantir que não haverá prejuízos ao processo, evitando omissões e ocultamentos ilícitos e a prática de novos crimes ambientais.

Os acusados

Entre os 14 denunciados, está Ricardo Vescovi, então diretor-presidente da Samarco. Os demais funcionários ocupavam função de destaque da empresa, tais como diretorias, gerências e coordenações.

São eles: Kléber Luiz Terra, Maury Souza Júnior e Rubens Bechara Júnior; Márcio Perdigão Mendes, Wagner Milagres Alves e Germano Silva Lopes; Daviely Rodrigues da Silva, Álvaro José Pereira e João Soares Filho; Euzimar da Rocha Rosado e Edmilson de Freitas Campos, além de Reuber Neves Koury e Wanderson Silvério Silva.

Seis destes funcionários são alvos de pedidos de prisão feitos pela Polícia Civil de Minas Gerais, entre eles Ricardo Vescovi.

Os desdobramentos deste inquérito da Polícia Civil, no entanto, está suspenso por falta de decisão sobre um conflito de competência.

O Superior Tribunal de Justiça julgará se ações penais, que estariam sendo direcionados para a Justiça Estadual, deveriam ser remetidas para a Justiça Federal, que é responsável pelo julgamento de crimes ambientais e concentra diversos processos sobre a tragédia de Mariana.

Procurada pela Agência Brasil, a Samarco informou que até o final do dia irá se manifestar sobre o anúncio do Ministério Público.

Edição: Beto Coura.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Região de Minas registra quarta ocorrência de tremor em pouco mais de um mês

Léo Rodrigues - Correspondente da Agência Brasil

O tremor de terra sentido próximo ao limite das regiões metropolitana de Belo Horizonte e central de Minas Gerais, na manhã de hoje (2), é a quarta ocorrência nessa área em pouco mais de um mês. Desta vez, o abalou assustou moradores da região metropolitana de Belo Horizonte por volta das 6h20. O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) divulgou mais cedo que o tremor havia sido de 4,2 graus na escala Richter, mas posteriormente rebaixou o abalo para 3,7. O epicentro foi no município de Esmeraldas (MG).
Mapa da região onde ocorreu tremor de terra em Minas Gerais. Observatório Sismológico UnB.
Dos quatro abalos ocorridos na região, este foi o de maior intensidade. Os outros três ocorreram na região central do estado, que faz fronteira com a região metropolitana. Em 24 de março, foram registrados dois tremores com epicentro a 11 quilômetros de Sete Lagoas (MG). O mais forte deles atingiu 3,2 graus na Escala Richter. A distância entre Sete Lagoas e Esmeraldas é de apenas 57 quilômetros (km). No dia 11 de abril, um novo tremor, de 3,5 graus, teve epicentro próximo ao município de Funilândia (MG), a 28 km de Sete Lagoas.

Esses foram os primeiros tremores registrados nessas regiões pelo Observartório Sismológico da UnB. Porém, é impossível afirmar com segurança que alterações semelhantes não tenham ocorrido no passado. Segundo o pesquisador da instituição George França, também não há como prever novos abalos sísmicos. Porém, ele considera remota a possibilidade de ocorrer um tremor de grande intensidade nessas regiões.

Para o pesquisador, falhas geológicas são as possíveis causas dos abalos. "Como foram eventos que ocorreram em localidades bem próximas, provavelmente podem estar inseridos no mesmo sistema de pressão que está provocando atividades sísmicas nesta região. É possível, mas não é conclusivo", explicou. O pesquisador reiterou que abalos desta magnitude podem no máximo causar rachaduras em casas de estrutura mais fraca.

Municípios

Além de Esmeraldas, pelo menos mais seis cidades mineiras sentiram o abalo: Betim, Contagem, Mateus Leme, Juatuba, Ribeirão das Neves e Mário Campos. Pelo Twitter, uma moradora de Betim relatou o susto. "Ao acordar com a minha cama mexendo e a janela tremendo, fiquei assustada sem saber o que era, até ir à padaria e ouvir relatos de outras pessoas que também sentiram o abalo", contou Geralda Cardoso.

O superintendente da Defesa Civil de Betim, José Coelho, disse que algumas pessoas telefonaram para o órgão. "Ninguém se queixou de danos até o momento. Alguns ligaram querendo relatar o episódio e outros com curiosidade. É que hoje as redes sociais divulgam o fato com muita rapidez". O superintendente relata que também sentiu o tremor: "No momento, eu estava na minha casa tomando café". Ele informou que pediu a um funcionário para ir a Esmeraldas, a fim de verificar se está tudo bem e se o município vizinho necessita de alguma ajuda. No entanto, pelos relatos recebidos, também não há registro de danos por lá.

Outro município de Minas Gerais que também registrou tremores no mês de abril é Januária, no norte do estado e próximo à fronteira com a Bahia. No entanto, os abalos foram mais leves. No dia 5 do mês passado, foi registrado um tremor de 1,4 grau na Escala Richter. Já no dia 28, houve um abalo de 2,4 graus.

Edição: Talita Cavalcante.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Mapa Hidrogeológico da Região Sudeste

Com o objetivo de descrever e mapear os depósitos de água subterrânea do Sudeste brasileiro, o IBGE disponibilizou o Mapa Hidrogeológico da Região Sudeste. As informações apresentadas objetivam fornecer um maior conhecimento sobre o comportamento geral dos aquíferos que compõem a região, oferecendo subsídios para o planejamento, gestão e uso racional e sustentável dos recursos hídricos regionais. Os dados e informações técnicas produzidos para geração deste mapa encontram-se disponíveis no portal do IBGE para pesquisa e download, nos formatos PDF e shapefile (formato de arquivo contendo dados geoespaciais em forma de vetor. É usado por Sistemas de Informações Geográficas, também conhecidos como SIG). 

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Mapa revela capacidade de produção dos aquíferos da região Sudeste

As unidades hidrogeológicas delimitadas neste mapa foram definidas com base nas suas características geológicas (tipo da rocha) e na produtividade dos poços tubulares, esta estabelecida a partir da vazão (que é a quantidade de litros d’água que pode ser extraída, por unidade de hora, de um determinado ponto de captação subterrânea). No total, 27.535 poços tubulares perfurados na região serviram de base para esta pesquisa. Foram identificados quatro grandes conjuntos de aquíferos ou domínios hidrogeológicos: poroso (formado por rochas sedimentares, a água circula por espaços vazios de pequenas dimensões, os poros), fissural (formados por fissuras onde a água se acumula), poroso-fissural e cárstico (que formam rios subterrâneos).

Alguns poços perfurados em aquíferos porosos (os mais produtivos da região) chegam a produzir até 500 mil litros/hora. Um poço com estas características, num regime de bombeamento de 12 horas/dia, produziria 6 milhões de litros/dia. Considerando um consumo per capita de 250 litros/pessoa/dia, pode-se estimar que esta captação, sozinha, seria suficiente para atender uma população de 24 mil pessoas.

Confeccionado na escala de 1:1.800.000 (1 cm = 18 km), o mapa utiliza como plataforma digital o software GeoMedia. Esta ferramenta, em cujo ambiente os elementos gráficos estão estruturados em níveis de informação e estão associados a um banco de dados, permite ao usuário não só identificar os elementos geológicos e hidrogeológicos que compõem cada uma das unidades geoespacializadas, como também executar tarefas de geoprocessamento (pesquisas e composições temáticas).

O mapa é o resultado de um processo dinâmico, podendo ser periodicamente atualizado, na medida em que uma massa de dados significativa seja incorporada ao banco de dados.

Crise hídrica revela importância do conhecimento de outras formas de captação de água

Os quatros estados que integram a região Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) somam uma área de cerca de 924.510 km², onde viviam aproximadamente 85,3 milhões de pessoas em 2014 (42,0% da população brasileira). Entre 2014 e 2015, a relativa escassez de chuvas nessa região (historicamente sem grandes problemas de abastecimento de água) desencadeou uma grave crise hídrica, sobretudo no estado de São Paulo, onde houve consequências significativas a diversos segmentos socioeconômicos, principalmente nos municípios da Região Metropolitana da capital.

Com isso, os aquíferos (formações geológicas capazes de armazenar e produzir águas subterrâneas) aumentam ainda mais sua importância, pois a questão hídrica na região Sudeste abre espaço para a discussão sobre a utilização de outros modelos para a matriz hídrica regional.

Fonte: IBGE.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Maria e José são os nomes mais comuns do país, revela IBGE

Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil

Levantamento inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o nome próprio mais comum no Brasil é Maria. Segundo o órgão, 11,7 milhões de brasileiras tem esse nome. É mais que o dobro de pessoas chamadas José, o nome de 5,7 milhões de homens brasileiros. A informação é do Projeto Nomes no Brasil, divulgado hoje (27).

Baseado no Censo de 2010, o levantamento compilou 130.348 nomes, durante as entrevistas em domicílios, sendo a maioria nomes de mulheres: 72.814 – que representam mais da metade da população do país. O terceiro nome mais comum no país também é de mulher: Ana.

A compilação do IBGE revela os nomes mais frequentes por décadas de nascimento desde 1930, permitindo saber quais entraram e saíram de moda em cada período da história.

Influência de famosos

A partir dos anos 2000, por exemplo, se tornaram populares nomes como Caua, Rian, Enzo, Kailane e Sophia – grafado da mesma forma que o da atriz italiana, ícone do cinema, Sophia Loren.

O coordenador do Projeto Nomes do Brasil, Carlos Lessa, confirma que os famosos influenciam as escolhas das famílias brasileiras, mas que essa relação nem sempre é clara. “Não temos certeza absoluta que é por esse fenômeno, mas tem indício. Por exemplo, Romário teve um crescimento na década de 1990, mas depois veio caindo, o que nos leva a crer que é por causa da Copa do Mundo, do momento do jogador, mas é sempre uma suposição”, ponderou.

Outra influência que parece ter vindo da televisão, na década de 1990, quando a novela Explode Coração foi ao ar na TV Globo, é o nome Dara, da personagem principal – interpretada por Teresa Seiblitz– , que cresceu 4.592% depois da novela em relação à década anterior.

Segundo Lessa, no caso de Dara, a relação parece ser mais forte, porém não está clara, como no caso de Sophia, quando a atriz italiana fez mais sucesso antes de 2000.

Para o coordenador, está confirmado que os brasileiros se inspiram em nomes biblícos. Os nomes que fazem referências ao cristianismo nunca saem do topo do ranking, como José, João, Francisco, Pedro, Paulo e Lucas. “Gabriel vem logo depois, demonstrando que a influência cristã é muito forte nos nomes”.

Nomes ao longo das décadas

Ao longo dos anos, alguns nomes passaram a fazer menos sucesso. No caso das mulheres, Marcia, Adriana e Juliana, frequentes nas décadas de 1960, 1970 e 1980, foram substituídos por Jessica, nos anos 1990, e Vitoria em 2000, embora Maria e Ana, sempre aparecem entre os preferidos.

Neusa e Terezinha, frequentes na década de 1950, perderam espaço. Assim como Alzira, Oswaldo e Geralda, recorrentes nas primeiras décadas do século 20.

Para homens, Jose e Antonio, que eram os mais populares até 1980, perderam lugar para Lucas na década de 1990 e João nos anos 2000. Gabriel também apareceu mais recentemente.

No levantamento, o IBGE não considerou sinais como acentos e cedilha. A perspectiva do órgão é aprofundar a pesquisa dos nomes no próximo Censo, previsto para 2020.


*Matéria alterada às 11h10 para correção do título. Diferentemente do informado no título, o nome masculino mais comum é José. Texto atualizado às 13h13 para acréscimo de informações.
Edição: Denise Griesinger

Frente fria atinge Rio com ventos de mais de 70 km/h

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

A frente fria que se desloca do sul do país e se aproxima da região Sudeste começa a provocar transtornos para o morador do Rio de Janeiro. A força dos ventos chegou a 75,6 quilômetros por hora (km/h) em Copacabana e derrubou diversas árvores na cidade, exigindo ação dos bombeiros para liberar as ruas interditadas.

Para as próximas horas, devido à atuação da frente fria, há previsão de chuva fraca a moderada em áreas isoladas e de rajadas de vento moderado a forte em toda a cidade. A temperatura deve ficar em 25 graus Celsius.

De acordo com o Centro de Hidrografia da Marinha, ondas de 2,5m a 3,5m podem atingir a o Rio de hoje (27) até 9h de sexta-feira, (29). A Marinha alerta que o banho de mar deve ser evitado em áreas que estejam em condições de ressaca.

Atletas são desaconselhados a praticar esportes no mar. Outra recomendação é que as pessoas permaneçam distantes de mirantes na orla ou em locais próximos ao mar, durante o período de ressaca. O alerta serve também para os pescadores permanecerem em terra durante o período de ressaca e os ciclistas se afastarem da orla, caso as ondas estejam atingindo a ciclovia.

Edição: Beto Coura.